Um moinho de vento, uma seca e algumas danças decentes

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Você já ouviu a história antes. Provavelmente três vezes.

Houve a palestra TED. Então veio o livro de memórias. Seguiu-se a adaptação cinematográfica, suavizando as arestas para o público mainstream. Agora? Agora é um musical. Tocando no Soho Place em Londres até 18 de julho. Funciona. Não porque seja inovador. Mas porque é encantador.

  1. Malaui. A fome atinge a aldeia de Wimbe. William Kamkwamba, de treze anos, abandona a escola. Sua família não pode pagar as taxas. Ele é brilhante, no entanto. Brilhantemente. Um engenheiro esperando permissão. Ele passa o tempo vasculhando ferros-velhos. Ele lê livros da biblioteca à noite. Seu objetivo é absurdo em sua simplicidade e vital em sua execução. Ele quer construir um moinho de vento. Fora do lixo. Para abastecer a aldeia.

O título denuncia o jogo, obviamente.

Você sabe o final? Sim. Guilherme consegue.

Isso significa que o suspense não pode viver nas máquinas. Tem que viver nas pessoas. Sua irmã mais velha, Annie, compartilha seu intelecto, mas carrega o peso das expectativas da comunidade. Ela tem um relacionamento com Mike, professor de ciências interpretado por Tad Hapaguti nesta performance. Seu melhor amigo, Gilbert, é filho do chefe. Ele tem fogo, sim. Mas quando a crise chega, seu status de repente importa por razões que vão além da amizade.

Trywell é a verdadeira tragédia.

O pai de William. Agricultor. Adorável e desesperado. Ele quer educação para seu filho. Mas a educação custa dinheiro. A agricultura alimenta você. Então William para de estudar para ajudar na colheita. É uma escolha cruel. À medida que a fome aumenta, Trywell desiste. Ele ataca sua família. Sifiso Mazibuko desempenha essa mudança com uma precisão assustadora. Ele caminha na linha entre a vítima e o vilão sem perder um passo. É irritante. É trágico. Ambos ao mesmo tempo.

O show é perfeito?

Não. A maioria das músicas são agradáveis. Então eles desaparecem da memória. O elenco tem vozes fortes, principalmente Mazibuko e a intérprete de Annie, Tsmaye Bob-Egbe. Há também Choolwe Laina Muntunga como o espírito do vento, trazendo uma poesia visual que se destaca.

A coreografia funciona mais do que a partitura. Especificamente o número One Less (The Hyena). É dramático. Afiado. E depois há os fantoches. Lindas figuras de animais. Eles acrescentam um pathos que o diálogo não consegue atingir.

O primeiro tempo arrasta. Um pouco demais. A peça passa sua abertura tentando nos vender o charme de Wimbe. Não é necessário fazer isso. Já estamos aqui. Mas assim que a fome se aproxima… a fechadura encaixa-se no lugar.

Na minha exibição, alguém chorou durante o ponto baixo de William. Não apenas uma pessoa. A casa inteira sentiu a mudança. Os olhos secos desapareceram.

O vento pega as lâminas. As luzes acendem. Está se movendo. É uma bagunça. Vale a pena ver.