Caça aos sinais de decadência fantasmagórica da matéria escura em aglomerados de galáxias

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Os cientistas estão a intensificar a procura de matéria escura, a substância invisível que constitui 85% da massa do Universo, através da análise das emissões de energia de enormes aglomerados de galáxias. O objetivo é detectar assinaturas fracas de partículas de matéria escura em decomposição, revelando potencialmente a sua verdadeira natureza. Esta pesquisa não trata apenas de identificar uma peça que falta no cosmos; trata-se de testar teorias fundamentais da física de partículas e compreender como as estruturas em grande escala do universo se formaram.

O Desafio da Matéria Invisível

A matéria escura continua sendo um dos maiores mistérios da cosmologia moderna. Ao contrário da matéria comum, ela não interage com a luz, tornando-a invisível aos telescópios. Isto levou os físicos a propor uma gama de partículas exóticas para além do modelo padrão – partículas que podem decair ao longo de milhares de milhões de anos, libertando energia no processo. Se essas partículas decaírem, as emissões resultantes poderão ser detectáveis ​​como raios X, raios gama ou mesmo fluxos de neutrinos indescritíveis.

Novas ferramentas para uma caçada antiga

As tentativas anteriores de encontrar essas assinaturas de decaimento basearam-se em detectores mais antigos com precisão limitada. No entanto, a missão de imagem e espectroscopia de raios X da NASA (XRISM) oferece uma nova vantagem: espectroscopia de alta resolução de energia. Isto permite aos cientistas distinguir entre emissões atómicas conhecidas e linhas potencialmente ténues e não identificadas que podem indicar a decomposição da matéria escura. Ao combinar três meses de dados XRISM, os investigadores estão agora a refinar a procura destes sinais reveladores dentro de enxames de galáxias, que são ricos em matéria escura e bem compreendidos em termos da sua distribuição de massa.

Neutrinos estéreis como principais suspeitos

Um dos principais candidatos à matéria escura é o “neutrino estéril”, uma partícula hipotética que interage com a matéria apenas através da gravidade. Ao contrário dos três tipos de neutrinos conhecidos, os neutrinos estéreis podem decair em fótons, produzindo uma assinatura detectável de raios-X. O estudo atual fornece as restrições mais fortes até o momento sobre o decaimento de neutrinos estéreis na faixa de 5 a 30 quiloelétron-volts. Embora ainda estejam atrás das Partículas Massivas de Interação Fraca (WIMPs) em termos de popularidade, os neutrinos estéreis e outros candidatos alternativos à matéria escura estão ganhando atenção à medida que os experimentos continuam a não encontrar nenhuma evidência de WIMPs.

O futuro da detecção de matéria escura

A busca pela decomposição da matéria escura está longe de terminar. Os cientistas planeiam continuar a analisar os dados do XRISM durante os próximos 5 a 10 anos, na esperança de confirmar a existência de partículas em decomposição ou refinar ainda mais os limites das suas propriedades. As apostas são altas; se detectado, isto não só revelaria a natureza da matéria escura, mas também abriria novos caminhos para a compreensão dos componentes ocultos do universo e da sua evolução.

A procura do decaimento da matéria escura é uma prova do método científico, onde mesmo a ausência de provas pode ser valiosa para refinar teorias e estreitar as possibilidades.