Nova espécie de salamandra gigante descoberta no Japão: Limnospondylus Ajimuensis

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Três ossos isolados, desenterrados há quase trinta anos no norte de Kyushu, estão finalmente a dizer-nos o que escondiam. Durante décadas, eles apenas ficaram ali sentados. As etiquetas diziam Andrias. Prática padrão. Mas um novo olhar dos investigadores da Universidade de Quioto desfez essa suposição.

Estes não são apenas velhos ossos de salamandras gigantes. Eles pertencem a uma espécie distinta e perdida.

Chamado Limnospondylus ajimuensis, este anfíbio rondava os lagos onde hoje é a província de Oita há cerca de 3,5 milhões de anos. Cresceu para cerca de 1,1 metros (3,7 pés). Isso o torna um sério candidato aos maiores anfíbios da Terra, ainda hoje. Demorou quase dezoito anos para atingir esse tamanho. Crescimento lento? Ou apenas uma estratégia diferente de história de vida? Ainda não sabemos. Mas a implicação é clara: o antigo Japão hospedou gigantes que nunca imaginamos.

A descoberta de Ajimu e o ambiente antigo

Os fósseis vieram da região de Ajimu na Formação Tsubusugawa. Escavadas entre 1995 e 2007, essas três vértebras – tronco frontal, tronco médio e sacro-caudal – não vieram de um único animal. Eles vieram de indivíduos diferentes. Tamanhos diferentes. Pontos diferentes.

Isto é importante porque o ambiente naquela época era radicalmente diferente. O norte de Kyushu era uma selva úmida e quente de lagos e pântanos de água doce. Os elefantes andavam por lá. Crocodilos também. Criaturas que não existem mais no Japão. Era um ecossistema pré-histórico, exuberante e abundante.

“Ajimu contém o único local no mundo onde foram encontrados fósseis da família das salamandras gigantes e de gêneros existentes”, diz o autor principal, Masahiro Noda.

Essa singularidade é a razão pela qual esta descoberta atinge com força. Não é apenas mais um osso. É uma janela.

Por que os cientistas criaram um novo gênero

Em 2001, os cientistas inseriram esses ossos no gênero Andrias. ID padrão para salamandras gigantes. Mas eles não tinham material suficiente. Muitas perguntas. Agora, a equipe da Universidade de Kyoto tinha uma visão completa. Eles compararam os fósseis com uma enorme coleção de espécimes modernos e extintos.

A vértebra do meio do tronco foi a chave. Ele mostrou características anatômicas que não correspondiam a nenhum membro conhecido de Cryptobranchidae, a família à qual pertencem as salamandras gigantes. As diferenças não foram pequenas. Eles foram fundamentais.

Então, eles construíram uma nova casa. Um novo gênero. Limnospondylus. Grego para “vértebra do lago”. Ajimuensis homenageia o local da descoberta. Simples. Eficaz. Reconhece que esta criatura viveu de forma diferente. Preferia águas paradas. Lagos. Lagoas. Não os rios de fluxo rápido dos quais dependem as atuais salamandras gigantes.

Preenchendo a lacuna evolutiva

As salamandras gigantes existem há cerca de 60 milhões de anos. Eles costumavam vagar pelo Hemisfério Norte. Mas o seu registo fóssil asiático tem um enorme ponto cego. Existe uma lacuna de mais de 20 milhões de anos entre as espécies antigas e os poucos parentes que vemos hoje.

Este novo gênero ajuda a unir essa linha do tempo. Até agora, apenas cinco gêneros da família foram descritos. Cinco. Agora são seis. Isto sugere que as antigas salamandras asiáticas eram muito mais diversas do que pensávamos. Eles ocuparam uma gama mais ampla de habitats. Eles não eram apenas ribeirinhos.

Isso obriga a repensar as gavetas dos museus. Muitos restos fragmentários rotulados como Andrias podem na verdade ser Limnospondylus ou algo totalmente diferente. Os pesquisadores os agrupam por padrão. A falta de evidências levou a uma classificação excessiva. Esta nova descoberta quebra esse padrão.

Sobrevivência, extinção e conservação

Por que foi extinto? Provavelmente clima. O final do Plioceno viu um resfriamento global. Os lagos secaram. As zonas húmidas encolheram. O habitat desapareceu.

Mas um ramo sobreviveu. Andrias japonicus, a salamandra gigante japonesa, ainda está aqui. Nos rios da região de Ajimu e além. É um elo vivo com esse passado pré-histórico. Um raro sobrevivente.

No entanto, está lutando hoje. Hibridização com espécies estranhas. Destruição de habitats. Noda aponta isso claramente.

“Recentemente, as salamandras gigantes nativas do Japão enfrentaram desafios como a hibridização com espécies estrangeiras e a destruição de habitat”, diz Noda.

Esta pesquisa não é apenas sobre o passado. É um aviso. Um lembrete do que já perdemos. E o que podemos perder a seguir. A conexão entre os antigos lagos de Ajimu e os rios modernos é tênue. Frágil.

Sabemos que os ossos eram reais. Nós sabemos como eles eram. Sabemos onde eles moravam. Mas o panorama geral – como exactamente esta linhagem sobreviveu quando outras desapareceram, como poderá adaptar-se agora – ainda está em desenvolvimento. A história não terminou.