Eles começaram nas salas de estar. Não houve palco. Nenhuma chamada ao palco. Apenas um grupo de escritores e artistas de Provincetown, Massachusetts, que estavam cansados de assistir às mesmas velhas peças e decidiram escrever as suas próprias.
Os Provincetown Players foram formados em 1915. Seu objetivo era simples, embora um pouco arrogante: produzir trabalhos novos e experimentais. Eles não se importavam com o sucesso comercial. Eles se preocupavam em colocar palavras em uma página e colocá-las diante de um público, por menor que fosse esse público.
A lista inicial parecia quem é quem do modernismo americano. Você teve Mary Heaton Vorse, George Cram Cook, Susan Glaspell, Hutchins Hapgood, Wilbur Steele e Robert Edmond Jones. Eram pessoas que não se identificavam necessariamente primeiro como profissionais de teatro. Eram escritores e artistas que estavam no mesmo lugar e ao mesmo tempo.
Então veio 1916.
Naquele ano, o grupo viajou para Nova York. Eles encenaram Bound East for Cardiff e Thirst de Eugene O’Neill. Este não foi apenas mais um teste fora da Broadway. Foi a plataforma de lançamento de um dos dramaturgos mais ilustres da América. O’Neill estava prestes a mudar o curso do drama americano, e foram os jogadores de Provincetown que lhe entregaram o microfone.
Naquele inverno, a trupe mudou sua base de operações para Greenwich Village. A partir daí, eles operaram como um teatro estritamente não comercial pela década seguinte. Eles não perseguiram números de bilheteria. Eles perseguiram talentos.
A lista de pessoas que descobriram e desenvolveram é impressionante. Estamos falando de Floyd Dell. Edna St. Vincent Millay, cuja Aria da Capo foi apresentada lá. Designers como Donald Oenslager. Diretores como Kenneth Macgowan. Atores como Jasper Deeter.
E então havia Paul Green. O grupo defendeu sua peça In Abraham’s Bosom. Ganhou o Prêmio Pulitzer em 1927.
Por que isso importa agora? Porque os Provincetown Players provaram que não é necessário um orçamento da Broadway para iniciar um movimento. Você só precisa de disposição para correr riscos. Eles operavam fora do sistema comercial, o que significava que podiam correr riscos que os produtores comerciais não tocariam.
O grupo floresceu até ser encerrado em 1929. Nessa altura, já tinham estimulado o trabalho de inúmeros talentos teatrais que de outra forma poderiam ter permanecido obscuros.
Eles não apenas encenaram peças. Eles construíram uma plataforma. E uma vez que essa plataforma existiu, o resto da indústria teve que prestar atenção.
O modelo que criaram – experimental, não comercial, focado no escritor – ecoa no teatro até hoje. Mas naquela época era radical. Foi perigoso. Foi necessário.
Ainda citamos seu trabalho. Ainda estudamos as jogadas que eles defenderam. Mas o verdadeiro legado pode ser a própria estrutura. A ideia de que a arte pode existir fora do mercado.
É uma boa ideia. Até você tentar pagar o aluguel.






















