A audiência começou com uma suposição. Ou melhor, uma teoria. Um que o senador Rand Paul vem defendendo há anos.
Ele queria Anthony Fauci na berlinda. Por que? Porque Paul acredita que a pandemia não passou dos morcegos para os humanos. Não, ele acha que vazou. Do Instituto de ViroLOGIA de Wuhan. E se isso acontecer, Fauci estará em perigo.
Por que? O NIH concedeu ao instituto uma subvenção. Esse é o link que Paulo está puxando. Ele acha que Fauci “poderia ser responsável por toda a pandemia”.
É uma afirmação dramática. Foi também por isso que Fauci apareceu com um advogado. E por que ele não falou muito.
Fauci invoca a Quinta Emenda em um movimento chocante
Você espera que uma testemunha responda às perguntas. É assim que funcionam as audiências.
Este não.
Fauci não se manifestou para falar. Ele subiu ao banco para ler um roteiro preparado por seus advogados.
Ele descreveu a busca de Paulo por ele como uma “obsessão descontrolada”. Uma obsessão em vê-lo “atrás das grades”. Então, a estratégia jurídica mudou. Em vez de responder, Fauci invocou o seu direito contra a autoincriminação.
“Sob o conselho dos meus advogados, invocarei o meu direito ao abrigo da Quinta Emenda… de me abster de responder às suas perguntas.”
Foi direto. Foi abrupto. Parou o relógio.
Paul parecia pronto. Ele tinha uma cópia de uma lei preparada. A lei que obriga o testemunho. Ele tentou entregá-lo. Mas Fauci não mordeu a isca.
O resultado? Um impasse na televisão ao vivo.
A comunidade científica recua
Você não saberia disso assistindo ao teatro político. Mas a comunidade científica está gritando.
Um grupo de 155 cientistas divulgou uma carta aberta. Eles estão cansados da “difamação e do assédio”. Eles vêem isso como um ataque à própria profissão.
A mensagem deles era clara: as acusações contra Fauci são infundadas.
Quais cobranças?
- Encobrindo as origens da Covid.
- Suborno de outros cientistas.
- Patentes pessoais sobre o vírus.
- Trabalhar com agências de inteligência para esconder a verdade.
“Nenhuma evidência confiável foi produzida”, afirmava a carta.
Estas são acusações graves. Eles sugerem uma vasta conspiração. Mas não há nada lá para apoiá-los. Apenas barulho. E agora, o ruído está a tornar-se política.
A Questão da Quinta Emenda
É aqui que fica complicado.
Você pode pleitear o Quinto se já foi perdoado?
Fauci recebeu perdão presidencial. Joe Biden assinou antes de deixar o cargo. Normalmente, um perdão limpa a lousa. Isso elimina o risco de processo. Sem esse risco, a Quinta Emenda não deveria ser aplicada, certo?
Esse é o argumento que os republicanos estão apresentando.
O senador Josh Hawley não se conteve. “Você não tem nenhum direito sob a Quinta Emenda”, disse ele. Ele chamou isso de desprezo. Desprezo pelo Congresso. Desprezo pelo povo americano.
Paulo concordou. Ele disse a Fauci que haveria repercussões por sua recusa em testemunhar.
Mas os juristas ainda estão debatendo os detalhes. O perdão presidencial protege uma testemunha de uma intimação do Congresso? É uma nova questão jurídica. E está transformando uma audiência em um processo judicial.
Paul diz que virá para um voto de desacato na próxima semana. Trata-se de poder. É sobre quem controla a narrativa.
Uma guerra mais ampla contra a ciência
Não se tratava apenas de Fauci.
Assim que Paul se recostou, outros se aproximaram. As críticas foram amplas. Foi pessoal.
O senador Ron Johnson acusou Fauci de encobrir más notícias sobre vacinas. Ele os chamou de “terapia genética experimental”. Mesmo que milhões de vidas tenham sido salvas.
O senador Bernie Moreno exigiu um pedido de desculpas. Para o mandato militar. Para empresas perdidas. Para uma mãe solteira de Ohio presa por não usar máscara em um jogo de futebol. Ele chamou Fauci de “desgraça total”.
O senador Joni Ernst trouxe à tona o tecido fetal abortado em pesquisas. É um assunto antigo. Ainda dói.
Entretanto, os Democratas alertaram sobre o custo de tudo isto.
O senador Gary Peters, de Michigan, viu o quadro geral. “Transforme uma pessoa em bode expiatório”, disse ele. “Centenas de funcionários… foram responsáveis.”
Seu medo? Isso assusta os especialistas. Por que servir em público se você vai ser arrastado pela lama?
Por que isso é importante além da audição
Vejamos o quadro geral.
A teoria do “vazamento de laboratório” é útil. É uma arma.
A administração Trump usou-o para criticar políticas anteriores. Mesmo quando cortaram US$ 11,4 bilhões dos departamentos de saúde estaduais e locais. O argumento? A pandemia acabou. Não precisamos mais do dinheiro.
Não se trata apenas da Covid.
A pesquisa sobre o câncer e o Alzheimer está sofrendo. Por que? Porque o financiamento do governo está sendo interrompido. As iniciativas de diversidade estão sendo eliminadas. As subvenções estão sendo canceladas com base em prioridades políticas.
Esta não é apenas uma má política. É uma mudança estrutural.
Uma regra proposta colocaria o aparelho federal de concessão de subvenções de 1 bilião de dólares sob nomeações políticas. Imagine isso. Os cientistas costumavam seguir a revisão por pares. Agora? Eles seguem as linhas partidárias.
A audiência de quarta-feira é apenas o movimento mais recente.
O senador Richard Blumenthal expressou melhor.
“Nos últimos 18 meses… a administração Trump tem estado empenhada em reescrever esta história”, disse ele.
Ele está certo.
A pandemia aconteceu. Os hospitais transbordaram. Os pesquisadores trabalharam em alta velocidade para salvar vidas. Agora? Essa história está sob ataque.
É apenas sobre um homem? Ou é sobre quem controla a ciência que nos mantém vivos?
Fauci saiu sem responder a uma única pergunta substantiva. Mas o eco é alto.


















