Mais quente. Você não esperaria isso lá embaixo, no escuro, sob quilômetros de rocha, mas o núcleo da Terra queima ferozmente. Há cerca de 4,5 mil milhões de anos, o planeta era apenas uma massa derretida. Coisas pesadas – ferro e níquel – afundaram. A gravidade fez a classificação.
O que resta hoje no centro é denso e furioso.
Duas camadas de calor
O núcleo não é uma bolha. Ele se divide em duas zonas. Primeiro, o núcleo externo líquido começa a cerca de 2.900 quilômetros abaixo de seus pés. Ela se estende por mais 1.400 ou mais. Depois vem o núcleo interno sólido. Essa fera fica mais profunda, começando a 3.200 milhas de profundidade. Seu raio? Cerca de 758 milhas.
Então. Quão quente?
Os cientistas situam-no no ponto de ebulição da superfície de uma estrela. Estamos falando de 9.000 a 10.00 graus Fahrenheit (cerca de 5.000–5.500°C). Essa é a fronteira entre a esfera sólida interna e o oceano líquido que a rodeia.
Nós perfuramos lá? Não.
Você não pode conduzir uma amostra central tão profundamente. Em vez disso, eles adivinharam. Suposições educadas. A matemática vem da compressão do ferro em laboratórios até que ele imite o esmagamento das profundezas da terra. Eles também olham para meteoritos, analisando a sua composição em busca de pistas sobre a composição do nosso planeta.
As ondas sísmicas ajudam. Quando eles atravessam a Terra, eles se dobram. Às vezes eles desaparecem. Essas mudanças dizem aos físicos que o núcleo é composto principalmente de ferro – cerca de 85% dele – com algumas ligas mais leves misturadas.
Aqui está a variação da temperatura.
Na superfície, o ferro derrete a 2.800°F. Parece administrável, certo? Não sob pressão. Quentin Williams, físico da UC Santa Cruz, aponta as “enormes pressões” internas. A alta pressão aumenta o ponto de fusão. Portanto, mesmo que o núcleo interno esteja extremamente quente, ele permanece sólido porque o peso no topo o está esmagando. É um paradoxo. Rocha sólida e quente.
Para provar isso, os cientistas usam células de bigorna de diamante. Eles prendem um grão de ferro entre diamantes afiados. Então eles acertaram com lasers. Outras pessoas explodem o ferro com ondas de choque, tentando replicar aquela queda nas profundezas da Terra. Os dados são plotados. Extrapolado. Os números caem nessa faixa de 10,00 graus.
“Até certo ponto”, admite Shichun Huang, da Universidade Sun Yat-sen, “o que sabemos… é tudo uma suposição fundamentada”. Padrões de cristalização? Ainda é um mistério.
Sobras de fogo
De onde vem o calor? Notícias antigas, principalmente.
Quando a Terra se uniu, a gravidade apertou tudo. Essa energia potencial se transformou diretamente em calor. Huang diz. Então uma rocha do tamanho de Marte colidiu conosco. Bum. Mais calor.
Elementos radioativos também podem ajudar. Potássio, urânio, tório — estes se decompõem com o tempo e liberam calor. Porém, se eles existem lá embaixo é debatido.
A questão é que não esfriamos como fizeram os outros vizinhos rochosos do sistema solar. Williams diz isso sem rodeios.
“Não somos muito bons no resfriamento de planetas.”
Mantivemos nosso fogo primordial.
Por que você se importa? Porque sem esse calor, o campo magnético morre. A agitação do ferro líquido no núcleo externo gera o escudo que bloqueia os ventos solares letais. Além disso, a placas tectônicas se move. As prateleiras mudam. Os nutrientes borbulham. A vida encontra um caminho.
“Se você se preocupa com a vida, deveria olhar para dentro”, diz Huang.
Estamos sobrevivendo na parte de trás de uma fornalha escaldante que nunca poderemos visitar. Isso agita. Ele protege. Nós apenas ficamos acima disso, fingindo que é normal.
