Olhe para cima. Não no céu da sua vizinhança, mas em uma época muito anterior à história humana. A NASA divulgou ontem uma nova imagem do Telescópio Espacial Hubble. Parece um fogo de artifício vermelho, branco e azul preso no dia 4 de julho. Isso é. Foi lançado para o 250º aniversário dos EUA, com certeza. Mas não é apenas propaganda. Ela mostra NGC 6426, um dos antigos e empoeirados poços de estrelas pendurados no halo externo da nossa galáxia.
A moita antiga
Aglomerados globulares são estranhos. Eles são nós esféricos de estrelas firmemente compactados, mantidos juntos por sua própria gravidade. Nossa Via Láctea tem cerca de 150 deles. Pense neles como registros fósseis escritos em luz.
As estrelas em um desses aglomerados geralmente se formam a partir do mesmo colapso da nuvem de gás. A mesma nuvem de nascimento, a mesma idade. NGC 64 6? Aproximadamente 13 bilhões de anos.
O próprio universo tem 13,7 bilhões.
Isso torna este cluster quase tão antigo quanto tudo. Antigo não resolve. É uma espiada no amanhecer.
Cor e Temperatura
Você vê vermelho. Você vê azul. O que isso significa? É física. Física básica e brutal. As cores na foto do Hubble vêm da filtragem da luz em comprimentos de onda específicos. Material de processamento padrão.
Luz azul = comprimento de onda curto = quente.
Luz vermelha = comprimento de onda longo, misturada com infravermelho próximo = mais fria.
Regra simples: se estiver azul nessa imagem, está muito quente. Se estiver vermelho, é comparativamente frio.
Estrelas com pequenos metais
Aqui está o chute. Essas estrelas são de “baixa metalicidade”. Na astronomia, metal significa qualquer coisa mais pesada que hidrogênio e hélio. Ferro, oxigênio, ouro – todos “metais” aqui.
NGC 6425 é pobre nesses elementos pesados. É principalmente apenas H e He. Isso parece chato, talvez até barato. Não é. Combina com o universo jovem. Na época em que o cosmos era fresco, antes de existirem elementos pesados, a matéria era simples. Puro.
Este cluster se lembra daquela época.
Mas fica mais interessante. Os astrónomos detectaram dois grupos distintos de estrelas na mistura. Quimicamente diferente.
Por que?
Uma segunda geração nasceu depois que a primeira morreu violentamente.
As primeiras estrelas massivas explodiram como supernovas. Bum. Eles espalharam os elementos pesados recém-forjados no gás. Essa sopa enriquecida desmoronou para formar mais estrelas.
Explosões alimentam novas estrelas. A morte é a matéria-prima para os planetas futuros e, eventualmente, para nós. Sem aquela violência estelar confusa, não haveria pedras, nem vida. Apenas gás.
Ainda forte
O Hubble tirou isso para um projeto maior. Um levantamento desses halos antigos. Os cientistas querem determinar as idades, sim, mas, na verdade, querem compreender como a Via Láctea cresceu. Como evoluiu.
Trinta anos em órbita. O Hubble é um cachorro velho, mas ainda aprende novos truques. Mudou a forma como vemos o universo. Agora outras ferramentas pegam o bastão. O Telescópio Espacial James Webb expande a visão. O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman chegará no final deste verão, com lançamento previsto para o final de julho, pronto para cavar mais fundo.
Os dados continuam fluindo. As estrelas ficam lá. Esperando pela próxima lente para encontrá-los.
