Foi-se.
Esse é o status do orbitador MAVEN. Desapareceu em dezembro. Não com um estrondo. Apenas um deslizamento na sombra e no silêncio.
A NASA anunciou em 3 de junho o que já sabia. A espaçonave está inacessível. Ele orbita Marte há mais de 11 anos. Mais do que o planejado. Mais do que qualquer um esperava.
No dia 6 de dezembro, tudo parecia normal. MAVEN contornou o outro lado do planeta. Geralmente aparece vinte ou trinta minutos depois. Conversando. Desta vez não voltou. Um breve trecho de dados contou toda a triste história. A nave começou a cair. Rápido. Então as baterias acabaram. Nada a fazer senão dizer adeus.
Mike Moreau chama isso de perder um ente querido. Talvez isso seja duro. Talvez seja verdade.
“Acho que a equipe realmente passou pela perda de um ente querido…”
O que realmente fez
A ciência aconteceu aqui. Boa ciência.
MAVEN rastreou a fuga atmosférica. Basicamente, o lento vazamento do ar de Marte no vazio. Os dados mostraram que as tempestades solares pioram o vazamento. Grandes surtos de energia eliminam o gás.
Tomemos como exemplo maio de 2024. Um enorme evento climático espacial. O mais forte em vinte anos. Ele arrancou gás do planeta. Criou auroras brilhantes. Luzes bonitas, vento mortal.
Shannon Curry, a investigadora principal, diz que conhecemos melhor a perda atmosférica de Marte do que a da Terra. Essa é uma afirmação ousada. E provavelmente preciso.
Houve outras descobertas também.
– Sputtering : Partículas carregadas atingem átomos neutros e os lançam no espaço. Como uma bala de canhão espirrando numa piscina.
– Tempestades de poeira : a tempestade global de 2018 impulsionou a perda de água. Amarrando a poeira à morte de oceanos antigos.
– Raios X : MAVEN captou sinais do sistema de buraco negro Scorpius X-1. Inesperado. Útil.
Quem diria que um orbitador de Marte poderia estudar buracos negros?
Ajudou o Perseverance a capturar auroras visíveis no solo também. Agora podemos imaginar o que os astronautas poderão ver. Não apenas dados. Luz.
O Trabalhador Silencioso
A ciência é chamativa. A comunicação é chata. MAVEN fez as duas coisas.
Funcionou como um relé. Transportando dados para rovers como Curiosity e Perseverance. Ele lidou com cerca de 8% das sessões de revezamento. Mas 18% do volume real de dados.
Eficiente? Sim. Inteligente? Absolutamente. Ele usou um novo esquema de codificação para extrair mais informações por contato. A certa altura, quebrou o recorde do sistema solar para transferência de dados em uma única sessão.
Agora a rede está mais silenciosa. A Mars Odyssey e outros orbitadores mudaram os horários para compensar a folga. Uma nova rede de telecomunicações está prevista para a década de 2030. Mas isso parece muito distante.
Onde termina
MAVEN permanece em órbita. Esticado. Peso morto.
Não cairá antes de cinquenta ou talvez cem anos. Eventualmente, a atmosfera irá capturá-lo. Queime. Nenhuma ameaça para outros satélites. Sem risco de acidente.
A causa da queda permanece um mistério. Um micrometeoróide? Uma falha no computador? Não teremos certeza até que o relatório final chegue ainda este ano.
Importa como ele morreu?
Para os engenheiros que o construíram, isso é muito importante. Eles estão separados.
Se MAVEN conseguir uma lápide, Curry diz que tem o epitáfio pronto.
“A melhor missão a Marte de todos os tempos.”
De alguma forma eu acredito nela.
