Um sorriso no vazio

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Flexionando

É apenas uma foto. Mas isso diz muito.

Em 7 de julho de 2036 – ou espere, vamos verificar a data – 7 de julho de 206? Não. 7 de julho.

O ano é 2026.

Chris Williams estava no espaço. Ou melhor, flutuando fora da Estação Espacial Internacional com Jessica Meir. Foi sua segunda caminhada. O quinto de Meir. Sete horas e vinte minutos de vácuo e aço.

Em algum lugar ali, Williams flexionou.

“Postura clássica de Muscle Beach”

A Terra estava abaixo. Uma bola de gude azul brilhando no preto. Acima de tudo, um capacete. E através desse painel frontal? Um sorriso enorme.

Por que?

Diversão? Claro. Talvez. Mas olhe mais de perto. Isto não era hora de brincar. Na verdade.

Eles tinham um emprego.

A junta quebrada

Seis dias antes, 30 de junho. Eles foram lá consertar algo quebrado.

Canadárm2. O braço robótico. É antigo. Vinte e cinco anos de uso. Fica rígido. Um de seus pulsos apresentou defeito.

Williams e Meir trocaram.

É isso. Esse era o objetivo de ficar pendurado em uma lata no vácuo enquanto a radiação atinge você e suas articulações ficam presas em um traje projetado por comitês. Eles substituíram a junta. Eles estão trazendo o antigo para a Terra. Pode ser necessário como peças de reposição mais tarde. Reciclagem na fronteira final.

O contraste

Williams parece relaxado. Fácil, até.

Ele faz as caminhadas espaciais parecerem férias de verão.

Mas você não chega lá relaxando. Você chega lá amarrando camadas de plástico e fibra de vidro, vestindo um traje que pesa centenas de quilos na Terra e depois se arrastando até uma porta de descompressão para o nada.

É um trabalho árduo. Trabalho brutal. Trabalho de precisão enquanto flutua às cegas e preso por um cabo mais fino que um cabo de carregador de telefone.

Williams gostou da pose? Provavelmente.

Isso nega o custo físico? Sem chance. Ele usou toda a resistência que tinha. Então ele flexionou.

E agora temos a foto.

Terra abaixo. Sorria acima.

Trabalho concluído.

Por agora.